sábado, 8 de novembro de 2008
Marionetes de rua...
Um pequeno boneco! - exclamou o mais alto dos dois ao menino, que com seus grandes e fascinados olhos, observara atentamente o brinquedo durante toda a performance. O homem mais baixo se aproximou e, com um suave gesto, acariciou os macios e curtos fios de cabelo do menino, que agora olhava quase como se estivesse hipnotizado por sua cartola multicolorida apoiada levemente sobre uma de suas grandes orelhas. O homem sorriu com sua pequena boca, empurrando seu lábio inferior com os grandes e angulosos dentes que mantivera guardados durante todo o tempo do espetáculo. O mais alto franziu a testa de modo carinhoso, notando a expressão de quase-pânico do garoto ao deparar-se com tão grandes dentes. Estendeu-lhe a mão, que portava uma velha luva sem dedos e o garoto a recolheu timidamente para um de seus bolsos, abaixando a cabeça e se afastando, calma, porém alegremente, enquanto alisava o bolso cheio, com satisfação.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Apenas um fragmento...
Quanto a isso, ele não se preocupava. Suas pernas, doloridas como sempre, estavam agora confortavelmente dobradas sob uma cadeira, seus ombros estavam arqueados sobre a mesa enquanto seus braços serviam de apoio para a pesada cabeça. Sua face atenta tinha dois olhos quase secos, que fitavam o vazio da mesa e sua boca pendia entreaberta. Eu não sabia como reagir, estava ali, observando-o sem mexer um músculo, me escondia atrás da minha negra cortina capilar enquanto fingia prestar atenção ao professor, que falava entusiasmado sobre algo relacionado a eletricidade, ziguezagueando entre as carteiras enquanto passeava pela sala.
Fiquei pensando em sair dali, mas por algum motivo, meu corpo não se movia. Talvez fosse o frio. Nevava lá fora e eu podia sentir a corrente gélida de ar passar pela minha nuca como uma lâmina.
Olhei mais atenta para fora e pude ver a neve cobrindo a copa das árvores, formando lisos e belos padrões. Por um canto da janela, pude ver o capô de meu carro coberto por uma camada espessa de neve. "Droga! Agora terei que tirar toda essa porcaria daí antes de entrar no carro, e vou me molhar..." pensei choramingando. Eu detestava ficar molhada, principalmente em dias frios. Coisa que não era incomum naquela cidade chuvosa, vazia e cinzenta, onde eu estava morando, contra a vontade, agora.
Fiquei pensando em sair dali, mas por algum motivo, meu corpo não se movia. Talvez fosse o frio. Nevava lá fora e eu podia sentir a corrente gélida de ar passar pela minha nuca como uma lâmina.
Olhei mais atenta para fora e pude ver a neve cobrindo a copa das árvores, formando lisos e belos padrões. Por um canto da janela, pude ver o capô de meu carro coberto por uma camada espessa de neve. "Droga! Agora terei que tirar toda essa porcaria daí antes de entrar no carro, e vou me molhar..." pensei choramingando. Eu detestava ficar molhada, principalmente em dias frios. Coisa que não era incomum naquela cidade chuvosa, vazia e cinzenta, onde eu estava morando, contra a vontade, agora.
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